Sexta feira da Segunda Semana da Quaresma. Neste 80º dia do ano do nosso calendário gregoriano estamos dando os primeiros passos na Estação do Outono. O verão se despediu de nós ontem às 6h02. O Outono agora está com as coordenadas, e segue até o dia 20 de junho, mais precisamente às 23h42. Segundo os mais entendidos, no “Equinócio do Outono”, o dia e a noite costumam ter aproximadamente a mesma duração devido aos raios solares que atingem a Terra de forma mais direta sobre a linha do Equador. Isso resulta em uma distribuição mais uniforme da luz solar em ambos os hemisférios. A própria palavra “equinócio” que é oriunda do latim “aequinoctium“, e quer dizer “noite igual“. Sábia como é, neste período, a natureza se prepara para o inverno, com a queda das folhagens, como medida de resistência, para enfrentar a estação mais fria que vem pela frente. Sei o que é isso, a partir aqui do meu quintal, com o desnudar das árvores.
21 de março. Uma data significativamente importante, pois no dia de hoje, comemoramos o “Dia Internacional de Luta pela Eliminação da Discriminação Racial”. Esta é uma data instituída pela Organização das Nações Unidas (ONU), proclamada no ano de 1966, através da Lei n° 11.645, em memória ao massacre de Shapeville, em Johanesburg, na África do Sul, ocorrido em 1960. Apesar de estarmos em pleno século XXI, e termos vivido uma das páginas mais desumanas da história da humanidade, com o massacre de negros e indígenas, manchando de sangue os anais de nossa história, ainda seguimos vivendo um racismo estrutural dantesco, fruto da herança perversa do período colonial. Os europeus fizeram um estrago em nosso continente, a titulo de conquista e “Descobrimento”, com o viés mais torpe do escravagismo: pessoas escravizadas, sem nenhum valor e dignidade como seres humanos, na tentativa da valorização do saque e do eurocentrismo. Como diria Angela Davis: “Numa sociedade racista, não basta não ser racista, é necessário ser antirracista”.
Uma sexta feira em que o texto do Evangelho de Mateus coloca Jesus num diálogo frente a frente com as autoridades religiosas de seu tempo: fariseus, chefes dos sacerdotes e anciãos do povo. Pedagogicamente, para facilitar o entendimento de seu ensinamento, Jesus faz uso da linguagem metafórica das parábolas. Trata-se da parábola da vinha e dos vinhateiros homicidas. O trecho de hoje é extraído de Mateus 21,33-43.45-46, mas que também tem o seu paralelo no Evangelho de Marcos 12,1-12. O objetivo primeiro de Jesus neste contexto é fazer uma dura e direta critica a atuação daquelas autoridades religiosas, levando-as a entender o seu desvio, quando se trata de serem os “dignos” representantes da religião, sobretudo no Templo de Jerusalém e nas sinagogas.
O Sinédrio era formado por cerca de 70 membros, e era composto por três grupos distintos: os sumos sacerdotes; os anciãos ou presbíteros e os escribas, entendidos nas questões da religião e da Lei judaica. Naquele tempo, o Sumo Sacerdote era o chefe de todos os judeus, o mais importante, mais respeitado de todos os sacerdotes. Já os anciãos eram outros homens também respeitados que davam conselhos ao povo. O texto de hoje não cita, mas haviam também os escribas, cuja função principal era ensinar a tradição das antigas palavras de Deus para o povo. Eles também julgavam se as pessoas estavam obedecendo ou não. É para esta gente que Jesus está dirigindo às suas palavras de hoje, numa tentativa de fazê-los entender que eram eles mesmos que estavam rejeitando a proposta de Deus, trazida pelo Messias, Verbo encarnado de Deus, ali presente no meio deles: “a pedra que os construtores rejeitaram tornou-se a pedra angular”. (Mt 21, 42);
Um ataque frontal de Jesus àquelas autoridades, que estavam desviando-se da proposta do Reino de Deus anunciado por Ele. O Templo havia se tornado num lugar de roubo, porque as autoridades (chefes dos sacerdotes, doutores da Lei, anciãos do Sinédrio) exploravam e oprimiam, apoderando-se daquilo que pertencia a Deus, isto é, o povo da aliança (vinha). A explicação da parábola é simples: depois dos muitos profetas que pregaram a justiça (empregados), Deus envia o seu próprio Filho com o Reino. A rejeição e morte do Filho trazem a sentença: o povo de Deus, agora congregado em torno de Jesus (pedra), passa a outros chefes, que não devem tomar posse, mas servir.
O objetivo principal de Jesus foi alcançado, uma vez que as autoridades chegam por si mesmas a conclusão de que Jesus estava falando da vida e atuação deles, diante do povo. Entretanto, ao invés de corrigirem e se converterem, buscam outros subterfúgios, caminhos: “Procuraram prendê-lo, mas ficaram com medo das multidões, pois elas consideravam Jesus um profeta”. (Mt 21,46) Jesus é para eles uma ameaça, tanto que os incomoda e os desinstalam, a ponto de encontrar um meio para mata-lo, como fora feito com os profetas no Antigo Testamento e João Batista, já no tempo de Jesus. Quem se coloca do lado de Jesus e dos pobres e marginalizados, com certeza, vai ter o mesmo destino que Ele: ser perseguido, maltratado e até morto. Que o diga a irmã Dorothy Stang, assassinada a mando do latifúndio, aqui na nossa região amazônica (Pará), em 2005. Ser Igreja com Jesus e em saída é ir onde o povo pobre está, como insiste o nosso Papa Francisco. Evangelizar a partir das periferias sejam geográficas ou mesmo existenciais. Eis aí o desafio.
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