Sexta feira da Terceira Semana da Quaresma. Março vai aos poucos se despedindo de nós sextando. O último final de semana do mês três, aponta no horizonte de nosso campo visual, de mãos dadas com o mês de abril que está logo ali. Estamos atravessando o 24º dia de nossa caminhada quaresmal. Como é bom lembrar, precisamos converter-nos à “Ecologia Integral“. Necessitamos olhar de frente para o “Pecado Contra a Criação”, mais conhecido como “Pecado Ecológico”. Como o próprio nome sugere, é a violência, o desrespeito ou o descaso que comumente cometemos contra a nossa “Casa Comum”, o Planeta. Por mais que a ala mais conservadora insista em querer nos dizer que a missão do cristão é “salvar as almas”, esta alma está ligada a um corpo, que por sua vez está inserido em um determinado habitat, a nossa “Casa Comum”.
O “Pecado Ecológico” é toda ação ou omissão do homem contra Deus, contra o próximo, a comunidade e o meio ambiente. Em primeiro lugar Deus cria a Terra, a Mãe Natureza, e depois dá vida ao ser humano, como sua principal criatura. Deus cria o ser humano para que ele viva na Terra que ele criou. A criação do ser humano como imagem e semelhança de Deus. Deus viu que toda a sua criação era muito boa (Cf. Gn 1,31). O ser humano integrado ao meio como co-criador da natureza. A nossa responsabilidade, portanto, é cuidar de toda a obra da criação de Deus. Não podemos permanecer contrariando os anseios de Deus, envolvidos em nosso “Pecado Ecológico”, que o Documento Final do Sínodo da Amazônia chama a nossa atenção: “um pecado contra as gerações futuras e se manifesta em atos e hábitos de contaminação e destruição da harmonia do ambiente, transgressões contra os princípios da interdependência e a ruptura das redes de solidariedade entre criaturas e contra a virtude da justiça”.
Uma sexta feira em que nós, adeptos da Teologia da Libertação (TL), ainda nos voltamos para o dia de ontem (27). Esta foi a data em que um dos nossos grandes teólogos, se despediu de nós: José Comblin (1923-2011). Sacerdote belga naturalizado brasileiro, padre Comblin chegou ao Brasil em 1958, atendendo a apelo do Papa Pio XII, que pedia missionários voluntários para regiões com falta de sacerdotes. Este religioso foi duramente perseguido pelo regime militar brasileiro, tendo, inclusive, que exilar-se no Chile. Trabalhou com Dom Hélder Câmara, arcebispo de Olinda e Recife e posteriormente com Dom José Maria Pires, então arcebispo de João Pessoa. Publicou mais de 60 livros, coerente ao seu pensamento teológico, sendo que um deles muito me impressionou e precisa ser lido pelos adeptos de uma boa leitura: “O Espírito Santo e a Tradição de Jesus”, Editora Paulus. Garanto que não se arrependerão.
Tradição de Jesus que precisa ser melhor conhecida por aqueles e aquelas que fazem a sua opção pelo seguimento d’Ele. No dia de hoje, por exemplo, temos a oportunidade de conhecer um pouco mais sobre este Jesus Histórico, de que nos fala a Cristologia. Fazendo uso do Evangelho de Mc 12,28b-34, a liturgia nos coloca no contexto de um diálogo interessante entre Jesus e um mestre da Lei. Os doutores, ou mestres da Lei na Bíblia, eram aqueles judeus versados na lei religiosa de Israel e responsáveis por interpretá-la. Geralmente esses homens estavam associados ao partido dos fariseus. Em algumas passagens bíblicas, estes mestres também são identificados como escribas. Eles recebiam o título de “rabi”, e eram pessoas que tinham dedicado grande parte de suas vidas ao estudo da Lei. Ou seja, se dedicavam a estudar, interpretar e a ensinar a Lei. Essa “Lei” não incluía apenas a Lei escrita, mas também a Lei oral de Israel.
A preservação da Lei e sua aplicação prática na vida judaica, também era tarefa dos mestres da lei. O judaísmo havia criado 613 preceitos, representando a regra de vida que devia seguir cada um para realizar o seu papel de judeu. Desse número, 365 eram mandamentos negativos, proibições e 248 eram prescrições, ou mandamentos positivos. Ficava difícil que todas estas prescrições fossem assimiladas pelo judeu comum. Diante deste contexto todo, um destes mestres da Lei pergunta a Jesus: “Qual é o primeiro de todos os mandamentos?” (Mc 12,28) Todavia, ao contrário do que se poderia esperar deste diálogo, ele não se surpreende com a resposta de Jesus e há até certo entendimento entre ambos. “O primeiro é este: Ouve, ó Israel! O Senhor nosso Deus é o único Senhor. Amarás o Senhor teu Deus de todo o teu coração, de toda a tua alma, de todo o teu entendimento e com toda a tua força! O segundo mandamento é: Amarás o teu próximo como a ti mesmo! Não existe outro mandamento maior do que estes”. (Mc 12,29-31)
Amar a Deus da mesma forma que se ama também o próximo. Não há como amar apenas a Deus e esquecer ou distanciar-se do outro, que está lado a lado comigo. Jesus resume a essência e o espírito da vida humana num ato único com duas faces inseparáveis: amar a Deus com entrega total de si mesmo, porque o Deus verdadeiro e absoluto é um só e, entregando-se a Deus, a pessoa não se vê a si mesma como o centro absoluto de tudo. A relação com Deus pressupõe a relação intrínseca com a outra pessoa, em espirito de fraternidade e não de opressão ou de submissão. Em outras palavras, o dinamismo da vida é o amor que tece as relações entre as pessoas, levando todos e todas aos encontros, confrontos e conflitos que geram uma sociedade cada vez mais justa, humana e fraterna, mais próxima do Reino de Deus. Reino em que os pobres estão presentes como a teologia de Comblin nos ensina: “Os pobres são a verdadeira Igreja, o verdadeiro povo de Deus ainda que a sua presença no sistema religioso possa ser muito fraca. Jesus sabe reconhecê-los e os integra no seu corpo como o verdadeiro povo de Deus. Jesus luta pela sua libertação no meio deles”.
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