Sábado da Segunda Semana da Quaresma. Quaresma que só tem sentido se vista no contexto da festa maior que iremos celebrar festivamente no dia 20 de abril próximo: a Ressurreição de Jesus. Portanto, todo este percurso que estamos desenvolvendo, deve ser medido por nossa vontade de buscar a conversão. Conversão que não significa apenas um sentimento interior, voltado para a prática sacramental devocional, mas requer uma mudança radical significativa do nosso jeito de ser, pensar e agir, tendo o Evangelho como parâmetro de nossa inspiração e seguimento. Converter-nos no sentido de ter uma postura fundamentada na mística libertadora de Jesus, seguindo o pensamento da Madre Teresa de Calcutá: “as mãos que ajudam são mais sagradas que os lábios que rezam.”
Converter-nos à Ecologia Integral, como nos provoca a Campanha da Fraternidade, com a sua proposta: “Fraternidade e ecologia integral”, com destaque para o lema: “Deus viu que tudo era muito bom” (Gn 1,31). Precisamos caminhar nesta direção, sobretudo no dia de hoje em que comemoramos o “Dia Mundial da Água”. A data de 22 de março foi sugerida na Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento de 1992, e passou a ser comemorada em 1993. A cada ano, um novo tema é escolhido, sendo que, para o ano de 2025, o tema é “Preservação das Geleiras”. As geleiras que são essenciais para a vida do Planeta, já que a água de degelo é essencial para água de muitas populações. O dia de hoje tem o objetivo de sensibilizar as pessoas sobre a importância da água para a nossa sobrevivência e de outros seres vivos, mantendo o uso sustentável e a preservação dos ambientes aquáticos, evitando a contaminação e poluição.
A água é um recurso fundamental que sustenta a vida em nosso planeta. Dos oceanos aos rios e lagos, ela é indispensável para o bem-estar humano, a agricultura, o setor industrial e os ecossistemas. Entretanto, apesar de sua abundância, continua sendo um bem escasso. De acordo com a Organização das Nações Unidas (ONU), cerca de aproximadamente 2,2 bilhões de pessoas ainda não têm acesso à água potável, sendo que a quantia significativa, num total de 115 milhões de pessoas, ainda se veem obrigadas a beber água contaminada. Neste sentido, faço coro às palavras do meu poeta preferido cuiabano Manoel de Barros (1916-2014): “O mundo não foi feito em alfabeto. Senão que primeiro em água e luz. Depois árvore”. Não consigo entender que pessoas que se dizem católicas, sejam contrárias a iniciativa da CNBB com a temática da Campanha da Fraternidade. Falta-lhes talvez coerência e lucidez eclesial.
Lucidez que sobrava nos ensinamentos de Jesus com a sua prédica e prática libertadora, fazendo uso de uma pedagogia das parábolas e assim possibilitando um maior entendimento de sua mensagem. Estamos hoje diante de um texto de Lucas bastante conhecido de todos, mas que talvez, com uma nomenclatura não muito apropriada para o contexto, ao chamarmos de “Parábola do Filho Prodigo”. Eu prefiro denominá-la de “parábola do Pai amoroso (misericordioso)”. Se assim procedermos, estaremos dando maior relevância à atitude amorosa do Pai e não as recaídas de um filho insensato. Deus é este Pai amoroso que se alegra com a volta daqueles que buscaram outros caminhos e, num dado momento de suas vidas, reconhecem a besteira que fizeram e voltam atrás.
O capitulo 15 do terceiro Evangelho Sinótico é considerado pelos exegetas como o “Coração” de todo o texto escrito. O evangelista São Lucas concentrou estas três parábolas significativas no capitulo 15 de seu Evangelho: A ovelha perdida (Lc 15,4-7) A moeda perdida (Lc 15, 8-10) e a parábola escolhida pelo Lecionário Litúrgico para este sábado da Segunda Semana da Quaresma: (Lc 15,1-3.11-32). O perdido encontrado. O texto de hoje inicia com um dado importante e que delineará todo o percurso desenvolvido por Jesus no enfrentamento às autoridades religiosas de seu tempo: “os publicanos e pecadores aproximavam-se de Jesus para o escutar. Os fariseus, porém, e os mestres da Lei criticavam Jesus. ‘Este homem acolhe os pecadores e faz refeição com eles’”. (Lc 15,1-2)
Jesus era acusado e criticado veementemente pelos fariseus e mestres da Lei por andar na companhia de pecadores (inveterados na concepção deles). O alvo principal de Jesus era esta gente malvista pela sociedade e pelos religiosos que os olhavam de cima para baixo, esquecendo-se da missão principal de Jesus: acolher os pecadores, doentes, pobres e marginalizados pela sociedade classista da época: “O Espírito do Senhor está sobre mim, porque Ele me consagrou com a unção, para anunciar a Boa Notícia aos pobres; enviou-me para proclamar a libertação aos presos e aos cegos a recuperação da vista; para libertar os oprimidos”. (Lc 4,18), Como seria bom se os religiosos de hoje não copiassem e repetissem o mesmo modelo de prática religiosa equivocada dos religiosos do tempo de Jesus, fugindo completamente de seu propósito libertador.
O perdido que é encontrado por si mesmo e, posteriormente, pelo seu pai amoroso, dando-lhe uma nova chance, mesmo depois das suas peripécias malcriadas. Esta parábola nos ensina que o amor do Pai é o fundamento da atitude de Jesus diante das pessoas. Assim, respondendo à crítica daqueles que se consideram piedosos, justos, cheios de méritos, e se escandalizam com a solidariedade para com os pecadores, Jesus lhes mostra a predileção por aqueles e aquelas que erram, mas que buscam o caminho de volta e reconhecem que erraram. Não é que Deus prefere o pecador ao justo, ou que os justos sejam hipócritas. Jesus ressalta antes de tudo o mistério amoroso do Pai que se alegra em acolher o pecador arrependido ao lado do justo que persevera. “Filho, tu estás sempre comigo, e tudo o que é meu é teu. Mas era preciso festejar e alegrar-nos, porque este teu irmão estava morto e tornou a viver; estava perdido, e foi encontrado”. (Lc 15,31-32)
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