Quarta feira da Quarta Semana da Quaresma. “As águas de março fechando o verão”, ultrapassaram a fronteira do mês e estão acontecendo aqui para nós. Depois de uma chuva assustadora na tarde de ontem, com rajadas de vento, querendo levar tudo o que via pela frente, entendemos que os tempos agora são outros. A interferência humana na Mãe Natureza faz com que esta nos cobre através de suas manifestações intempestivas. A Terra está se cansando de nós! Também por este motivo, precisamos urgentemente nos converter à Ecologia Integral, como nos pede a Campanha da Fraternidade 2025. Inclusive os fundamentalistas conservadores, que defendem intransigentemente, que a função do cristão e da Igreja é “salvar almas”, numa preocupação enfadonha com o espiritualismo desconectado com a realidade.

Converter à Ecologia Integral é cuidar com carinho da nossa Casa Comum. Cada um e cada uma fazendo a sua parte, a começar dos pequenos gestos e atitudes mais coerentes. O lixo, por exemplo, que “jogamos fora”, vai para algum lugar, dentro do Planeta. Assim, não existe o “fora”. O fora é no meio de nós, dentro de nós. Mudar nossa atitude em relação ao meio ambiente, que nos dá tudo de que precisamos para viver. Daqui, estou fazendo a minha parte a partir de meu quintal: não mato nada; não ponho fogo em nada; toda a folhagem que cai das arvores, se transforma em adubo e dos bons. Neste sentido, aprendi com nosso bispo Pedro: “Não ter nada. Não levar nada. Não poder nada. Não pedir nada. E, de passagem, não matar nada; não calar nada. Somente o Evangelho, como uma faca afiada”. (Pobreza Evangélica – Pedro Casaldáliga)

Converter para melhor viver em sintonia com a grande família que somos. O dia 2 de abril é uma data especial: Dia Mundial de Conscientização do Autismo. Este dia foi instituído no calendário pela Organização das Nações Unidas (ONU), no ano de 2007. O Objetivo principal desta data foi o de levar informação à população para reduzir a discriminação e o preconceito contra os indivíduos que apresentam o Transtorno do Espectro Autista (TEA). Lembrando que o autismo é uma condição de saúde caracterizada por desafios em habilidades sociais, comportamentos repetitivos, fala e comunicação não-verbal. As pessoas com TEA podem e devem conquistar seu lugar na sociedade porque elas também têm aptidões e talentos específicos em determinadas áreas do conhecimento. Segundo a Organização Mundial da Saúde, o Brasil possui cerca de 2 milhões de pessoas com autismo. Precisamos conhecer melhor sobre este assunto. É por este motivo que o tema para este ano é “Informação gera empatia, empatia gera respeito!”

Conhecer também Jesus a partir do Evangelho, para que assim possamos segui-lo mais de perto. Conhecer o Jesus Histórico, para que possamos ser seguidores e seguidoras do Jesus da fé, o pós-pascal, o Cristo Ressuscitado, que estaremos celebrando logo mais à frente. Neste sentido, a Cristologia nos ajuda muito com as produções teológicas que estão ao nosso alcance nas boas livrarias de nosso país. Como bem observa o teólogo Leonardo Boff: “importa distinguir entre o Jesus histórico e o Cristo da fé. Sob o Jesus histórico se entende o pregador e profeta de Nazaré como realmente existiu sob César Augusto e Pôncio Pilatos. O Cristo da fé é o conteúdo da pregação dos discípulos que veem nele o Filho de Deus e o Salvador”. Ter fé em Jesus, mas também a mesma fé d’Ele.

Nesta quarta feira a liturgia nos oportuniza conhecer um pouco mais este Jesus histórico que o texto do evangelista São João nos apresenta. A cena de hoje é a sequência da cura de um homem paralitico realizada por Jesus em pleno dia de sábado. Um escândalo provocado pelo Galileu, infringindo a Lei do Sábado. Todavia, Jesus continua causando escândalo, ao se colocar na condição de Filho de Deus: “os judeus ainda mais procuravam matá-lo, porque, além de violar o sábado, chamava Deus o seu Pai, fazendo-se, assim, igual a Deus! (Jo 5,18) Um como Deus! O “cara” nasceu na periferia de Nazaré, filho de um casal de pobres trabalhadores, se colocando na mesma condição de Deus e ainda falando que faz as coisas que Deus lhe mandou fazer? Isso é demais para os judeus que se sentem ameaçados na sua condição de lideranças religiosas, por um reles filho de carpinteiro de Nazaré. “Pode vir alguma coisa boa de Nazaré?” (Jo 1,46)

A vida é dom gratuito de Deus! Dádiva do Criador! Ninguém pode ou tem o direito de Tirá-la. Assustador que lideranças religiosas se sintam no direito de matar alguém, só pelo fato deste alguém estar em sintonia com o projeto libertador de Deus. Jesus é o Filho de Deus! Um com, e como Deus: “Eu e o Pai somos um”. (Jo 10,30) Evidente que a ameaça maior de Jesus era sobre a preponderância da imposição religiosa dos líderes judeus sobre o povo pobre e oprimido, explorados por eles, mantendo aquela sociedade de classes. Jesus, ao contrário, unido a Deus, procura dar a vida, e sua maior obra é ser a Ressurreição na vida dos que o seguirem. Ressuscitar não é apenas voltar à vida física, como poderíamos imaginar, mas levantar-nos para começar uma vida nova e transformada. A fé em Jesus, que é compromisso com sua palavra e ação, leva-nos a começar esta vida nova da Ressurreição, organizando-nos como família dos filhos e filhas de Deus e, consequentemente, irmãos e irmãs de Jesus. Assim, a morte já está sendo vencida, e será plena e definitivamente, na Ressurreição final, no face a face com Deus: “Eu sou a ressurreição e a vida. Quem acredita em mim, mesmo que morra, viverá. E todo aquele que vive e acredita em mim, não morrerá para jamais”. (Jo 11,25-26). Para a fé cristã a vida não é interrompida com a morte, mas caminha para a sua plenitude.