Francisco (Chico) Machado. Missionário e escritor.
Terça feira da trigésima semana do tempo comum. Última semana do mês missionário. Oportunidade para rever a nossa ação missionária, já que pelo batismo nos tornamos missionários com Ele. Levar adiante o Projeto de Deus revelado por Jesus, como o evangelista mesmo diz tirando da boca de Jesus: “O Senhor escolheu outros setenta e dois discípulos, e os enviou dois a dois, na sua frente, para toda cidade e lugar aonde ele próprio devia ir”. Somos ou deveríamos ser os continuadores desta missão de fazer acontecer a utopia do Reino. Uma Igreja que se faz missão, estando do lado certo: o lado dos empobrecidos. Igreja alguma existe para si mesma, mas para ser presença viva no mundo, assumindo as mesmas causas de Jesus.
Manhã de chuva pelos rincões do Araguaia. Mansamente a terra vai sendo molhada e ar enfumaçado dá lugar ao oxigênio da vida, adentrando os nossos pulmões. O aroma do frescor da terra molhada nos faz acreditar que a vida renasce esperançando o sonho de Deus. Mistério generoso do Deus da amorosidade, que faz a água descer do céu irrigando a todos e fazendo germinar a semente da vida: “porque ele faz o sol nascer sobre maus e bons, e a chuva cair sobre justos e injustos”. (Mt 5,45) Generosidade e amorosidade de um Deus que nos ama na gratuidade e pensa em cada um de nós com açúcar e com afeto.
Manhã também de trevas para a História Brasileira. No dia de hoje fazemos a memória do assassinato de Vladimir Herzog (1937-1975). 47 anos do martírio de Vlado, como era conhecido e foi assassinado nos porões da ditadura militar, na sede do DOI-Codi, em São Paulo. Jornalista, professor e cineasta, croata de nascimento, naturalizou-se brasileiro, e foi criado em São Paulo. Tornou-se o símbolo da resistência à ditadura, graças a atuação do Cardeal arcebispo de São Paulo Dom Paulo Evaristo Arns, que não deixou que a morte deste jornalista se tornasse página virada de nossa história. Ditadura, nunca mais! Nazismo e fascismo também, nunca mais! No nosso Santuário dos Mártires da Caminhada, trazemos estampada, numa de suas paredes. a foto de Vladimir Herzog, presente!
Meu coração foi tomado nesta manhã por uma grande nostalgia. Rezei no silêncio dos pingos a cair sobre as folhagens de meu quintal, sem que nenhum dos meus hóspedes se atrevesse a deixar o aconchego de seus ninhos. Voltei ao passado e cantarolei uma das canções que usei em minha ordenação presbiteral: “O Profeta”. Canção esta inspirada nos versos do profeta Jeremias: “Antes de formar você no ventre de sua mãe, eu o conheci; antes que você fosse dado à luz, eu o consagrei, para fazer de você profeta das nações”. (Jer 1,5) Lembro que senti até mesmo a alma arrepiar diante daquela canção e da responsabilidade que estava assumindo ali naquele momento. https://www.youtube.com/watch?v=NmzYf9yc6so
Vidas pela vida! Vidas pelo Reino! Reino de Deus que Jesus faz questão de nos trazer presente através da liturgia desta terça feira. Pedagogicamente, o Mestre usa de ima linguagem bastante acessível para nos fazer entender com mais clareza o Reino do qual Ele anuncia: “Ele é como a semente de mostarda, que um homem pega e atira no seu jardim. A semente cresce, torna-se uma grande árvore, e as aves do céu fazem ninhos nos seus ramos” (Lc 13,19). O Reino comparado a uma semente que é semeada e que a graça de Deus faz germinar. Semente de esperança! Semente de vida! Semente do sonho e da utopia revolucionária de Deus que faz acontecer na vida dos pequenos que alcançam a sua libertação. Cada um de nós traz esta semente dentro de si, pronta para germinar, cabendo a nós tomar a iniciativa e fazê-la frutificar, através das nossas ações pelo Reino. Cada pequeno gesto nosso, por mais insignificante que possa parecer, pode significar a explosão desta semente em direção a vida plena para todos e todas.
Ainda padre jovem, chegando à Zona Leste de São Paulo, mais precisamente na Região de São Miguel Paulista, no meu primeiro contato com Dom Angélico Sândalo Bernardino, este me disse algo que me deixou intrigado: “você tem uma estrela muito forte brilhando dentro de você. Cuide-se para que ela nunca se apague”. A inquietação fez morada em todo o meu ser. Nunca me conformei com o mínimo que eu pudesse dar de mim mesmo. Também nunca gostei de me comparar com quem quer que fosse. A minha comparação é sempre com o melhor que eu posso dar de mim mesmo. Seguindo o conselho de Dom Angélico, vivo todos os dias tentando manter acesa a luz desta “minha estrela”. Que você que me lê agora, também nunca deixe que apaguem a luz de sua estrela. Ela é imprescindível para iluminar o seu caminho e também o nosso. A semente do Reino está em ti. Faça-a germinar no aqui e agora. No dia 30, não semeei a semente do Reino no terreno que ela jamais poderá germinar. Lembre-se da sua estrela a brilhar.
NOTA DA EDITORIA: Os artigos assinados são colaborações voluntárias de seus autores e não representam necessariamente a opinião da UNESER.
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